Benvindos à caverna da australopiteka. Nao estranhem se encontrarem sombras nas paredes. São resquícios da evolução.


























Archives
<< current













Comentários e sugestões: Mail




























Caverna da australopiteka
Quinta-feira, Fevereiro 06, 2003

2:35 PM Publicado por: australopitekaComments:




Às vezes me faço uma promessa que nao cumpro: nao ler jornais.Eles chegam todos os dias com suas manchetes azedas, tendenciosas e me chamam quase sibilando , e lá vou eu, abro os editoriais e as palavras estão lá, cada uma com sua verdade, cada qual com sua visão de mun do.Entretanto, os fatos, estes não podem ser modificados pela verdade individual ou por uma simples palavra escrita sob a luz ou a sombra de cada olhar.
Ando assim ultimamente, não quero saber do ultimo crime, da recente improbidade politica, das estatísticas da morte anunciada pelos transgênicos, cigarro, acidentes de trânsito.Ignoro o caderno de esportes, os classificados da elite, as críticas pretensiosamente culturais sobre o ultimo livro ou espetáculo.E da cochia do poder eu nao quero mais entender a ideologia.
Então me cai às mãos o poema de Wislawa Szymborska, Polonia, nobelista em 1996 ,e sua poesia humanista me faz repensar...


Os filhos da epoca

Somos os filhos da época,
e a época é política.
Todas as coisas - minhas, tuas, nossas,
coisas de cada dia, de cada noite
são coisas políticas.
Queiras ou não queiras,
teus genes têm um passado político,
tua pele, um matiz político,
teus olhos, um brilho político.
O que dizes tem ressonância,
o que calas tem peso
de uma forma ou outra - político.
Mesmo caminhando contra o vento
dos passos políticos
sobre solo político.
Poemas apolíticos também são políticos,
e lá em cima a lua já nao dá luar.
Ser ou não ser: eis a questão.
Oh, querida que questão mal parida.
A questão política.
Não precisas nem ser gente
para teres importância política.
Basta ser petróleo, ração,
qualquer derivado, ou até
uma mesa de conferência cuja forma
vem sendo discutida meses a fio.
Enquanto isso, os homens se matam,
os animais são massacrados,
as casas queimadas,
os campos se tornam agrestes
como nas épocas passadas
e menos políticas.

Wislawa Szymborska - poetisa e escritora polonesa
tradução de Ana Cristina César

1:53 PM Publicado por: australopitekaComments:






H.Leung - aquarela - River Mist

1:43 AM Publicado por: australopitekaComments:




Prá vc...que eu amo...

1:14 AM Publicado por: australopitekaComments:




Elegia em forma de epístola


A circunstância de sermos homem e mulher
presos por uma aliança tácita
e secreta
do sangue
é que nos prende à vida, meu amor, e nos salva.

Nascemos sem passaporte,
entre fronteiras guardadas
por sentinelas de sal e de silêncio.

O rio da história corre, estrangulado, entre as pedras,
e o cascalho, e os detritos humanos,
e a alegria suicida das coisas limpas e puras
abandonadas e soltas à vertigem da morte.

Construímos
para nossa defesa
um muro de ironia e de sarcasmo
¿ imponderável cortina
de humana ternura envergonhada
ou, como tu dizes, perseguida.

O silêncio é a corda
que nos prende aos mastros,
a antena vegetal por onde
a vida se insinua,
universal e atenta.

Marinheiros duma pátria
ancorada no tempo,
bebemos o sal dos minutos que passam
e adormecemos, hirtos, de costas para o mar.

Albano Martins - poeta e escritor português



12:55 AM Publicado por: australopitekaComments:


Terça-feira, Fevereiro 04, 2003

1:08 PM Publicado por: australopitekaComments:




Hoje me surpreendi com o calendário novamente, o tempo me pareceu curto demais, o relógio parece sofrer de taquicardia e a vida vai nos escapando pelos dedos.Falta-nos horas..e eu temo perder o contato com as coisas que realmente importam, aquele dolce far niente de um mundo mais simples, de relações mais profundas, conversas sem pressa.O mundo moderno nos roubou a cumplicidade, legando-nos o hedonismo e, por vezes, como hoje, tudo parece absolutamente non sense.

12:57 PM Publicado por: australopitekaComments:


Segunda-feira, Fevereiro 03, 2003

O Tempo
(Carlinhos Vergueiro)

O tempo, não é minha amiga,
Aquilo que você pensou,
As festas, as fotos antigas,
As coisas que você guardou,

Os trastes, os móveis, as tranças,
Os vinhos, os velhos cristais,
Lembranças, lembranças demais,

O tempo não para no porto,
Não apita na curva,
não espera ninguém,

Você vem deitar no meu ombro,
Querendo de novo ficar,
Eu olho e até me assombro,
Como pode esse tempo passar,

O tempo é areia que escapa,
Até entre os dedos do amor,
Depois há o vazio, é o nada,
É areia que o vento levou,

O medo correndo nas veias,
Deixou tanta vida prá traz,
E a gente ficou de mãos cheias,
Com as coisas que não valem mais,

E fica um gosto de usado,
Naquilo que nem se provou,
A gente dormiu acordado,
E o tempo depressa passou!

10:18 PM Publicado por: australopitekaComments:




Excelente site para o incentivo e aprendizado da leitura.
Leia Brasil


7:35 PM Publicado por: australopitekaComments:





Missão

Somos uma ONG especializada no incentivo e promoção da leitura como ferramenta de combate ao analfabetismo funcional.
Queremos fazer um Brasil de leitores.

Ações

Democratizamos livros e outros
bens culturais por empréstimo.

Oferecemos cursos, oficinas e treinamento continuado para educadores, bibliotecários e outros agentes de leitura.

Planejamos e realizamos eventos, espetáculos, encontros culturais e
projetos promocionais em torno
do livro e da leitura.

Incentivamos a produção de textos, editamos os Cadernos de Leituras Compartilhadas, armazenamos e divulgamos informações
sobre a promoção da leitura.

7:27 PM Publicado por: australopitekaComments:




12:55 PM Publicado por: australopitekaComments:






Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

(Mario de Sá-Carneiro)




12:54 PM Publicado por: australopitekaComments:




1:11 AM Publicado por: australopitekaComments:




Fênix
Não é verdade a tua solidão. A um canto,
do lado de fora, meu coração espera:
fênix dolorosa, consome-se e renasce,
fiel. Quem sabe,
quando abrires uma fresta em tua porta,
te alegrarás vendo-o aí, guardando
essa luz que se alastrará por rios sem fim
de uma geografia desconhecida:
e só os escolhidos entenderão.

Lya Luft

12:16 AM Publicado por: australopitekaComments:


This page is powered by Blogger.